DA GESTÃO DO CONHECIMENTO À GESTÃO DA IGNORÂNCIA: uma visão co-evolucionária

O texto DA GESTÃO DO CONHECIMENTO À GESTÃO DA IGNORÂNCIA: uma visão co-evolucionária, do Prof. Dr. Flávio Vasconcelos está disponível em PDF no Link: http://www.scielo.br/pdf/rae/v41n4/v41n4a11.pdf

Gestão do Conhecimento

O texto sugere um olhar peculiar e provocativo sobre as práticas e concepções disseminadas e operacionalizadas no contexto das organizações, ao evidenciar uma visão de gestão do conhecimento que considere a gestão da ignorância.

Nesse sentido a variável ignorância, e por que não dizer incerteza do indivíduo está diretamente relacionado com as especificidades dos processos de aquisição, apropriação e re(construção) de novos conhecimentos no indivíduo organizacional.

O texto suscita que para compreender as práticas de gestão do conhecimento em sua amplitude e complexidade é necessário re(conhecer) as especificidades que influenciam o processo de aquisição e produção de novos conhecimento, para tal sugere também a “gestão da ignorância”.

No entanto, o autor não explicita claramente e nem indica concretamente aportes teóricos, conceituais e metodológicos para operacionalizar e incluir as práticas de gestão da ignorância nos processos de gestão do conhecimento organizacional.

Na intenção de melhor compreender as especificidades que envolvem a gestão da ignorância nas organizações, acho oportuno tecer algumas considerações em torno da importância da gestão dos fluxos de informação para garantia da eficácia da gestão do conhecimento nas organizações.

Desse modo defendo que para compreender as especificidades e variáveis que envolvem os processos de gestão do conhecimento é necessário fazer uma imersão conceitual e contextualizada da tríade: ignorância, informação e conhecimento na perspectiva da gestão do conhecimento individual e organizacional.

Vale ressaltar que a implementação da gestão do conhecimento como processo estratégico competitivo e de inovação só ocorrerá com sucesso caso for percebido, apreendido e compreendido as variáveis que envolvem o que vem a ser “a gestão da ignorância”, imprimindo assim um olhar mais amplo em detrimento das concepções de gestão do conhecimento validado atualmente.

Para tecer sobre gestão da ignorância é necessário que a informação e conhecimento sejam reconhecidos e úteis para gerir os processos decisórios e de inovação, faz-se necessário que o indivíduo e as organizações compreendam as especificidades que envolvem os processos de busca, apropriação, (re)interpretação de novos conhecimentos. Para tanto é necessário (re)conhecer as especificidades da tríade: tríade: dados, informação e conhecimento.

Considerando a visão do autor, é oportuno afirmar que a gestão do conhecimento só terá completitude organizacional, caso haja no contexto organizacional uma cultura institucionalizada. Em outras palavras é primordial a institucionalização da gestão do conhecimento tácito e explícito, gestão de dados e da informação, gestão de competências de pessoal, gestão de competência informacional e gestão do planejamento estratégico de informação e do conhecimento, isso implica dispor-se de aportes que sejam capazes de gerir variáveis dinâmicas e complexas que envolvem o contexto interno e externo da organização.

Em face ao enunciado acima, constata-se que para gerir recursos de informação e conhecimento, é imprescindível a compreensão integrada dessa tríade, suas características, especificidades e principalmente sua aplicabilidade para subsidiar á tomada de decisões. Pelas características enumeradas acima se pode afirmar que os recursos dados, informação e conhecimento suscitam a necessidade de ambientes contextualizados e eficazes para provocar compreensão e apreensão de suas especificidades.

Nesse sentido é primordial delinear aportes e mecanismos para gerir os processos e atividades de produção, disseminação e uso de dados, informação e conhecimento como recursos para fomentar os processos decisórios.

Vale destacar que do ponto de vista da gestão vista de gestão é muito mais fácil capturar, comunicar e armazenar dados, essa facilidade já não acontece com a gestão da informação e muito menos com o conhecimento.

Isso porque “a conversão da informação em conhecimento é um ato individual, requer análise e a compreensão, requerem, por sua vez, o conhecimento prévio dos códigos de representação dos dados e dos conceitos transmitidos num processo de comunicação.

Na minha visão para compreender as especificidades que envolvem a gestão da ignorância é necessário entender as especificidades que envolvem a recepção e a cognição como processos intrínsecos e subjacentes ao ato de perceber, reconhecer e apropriar-se da informação e de conhecimentos, ou seja, é necessário que cada indivíduo (re)conheça os códigos significantes e significados para compreender e assimilar o sentido da informação, para em seguida transformá-la em conhecimento individual. Uma outra, questão que o texto suscita é a influência dos fatores cognitivos, emocionais e situacionais no comportamento de informacional do indivíduo diante da resolução de um problema.

Pois, cada indivíduo possui um “estado anômalo do conhecimento”, momento em que o individuo constata uma deficiência diante de um contexto e em determinado momento. O que motiva o comportamento de busca de novos conhecimentos é a incerteza do individuo diante de um problema. Ao se apropriar de um repertório de informações que corrijam essa anomalia, incerteza ou dúvida, ele constrói um novo estado de conhecimento a ser aplicado em determinada situação-problema, provocando desse modo uma modificação nas estruturas cognitivas.

Do meu ponto de vista, para compreender as especificidades que envolvem a “gestão da ignorância” é necessário entender como cada indivíduo se comporta diante do processo de busca de informação.

Outro aspecto muito complexo no processo de aquisição de conhecimentos relaciona-se diretamente com os fatores emocionais, pois eles influenciam o processo de busca de busca da informação, levando indivíduo a escolher determinadas tipologias informacionais em detrimento de outras. Pode-se afirmar que esse processo é individualizado e subjetivo, pois o indivíduo canaliza as suas estratégias de formulação de problemas e possíveis respostas a partir de seu repertório individual, destacando a sua opinião, gosto ou aversão.

Numa perspectiva construtivista, pode-se afirmar que a “incerteza” e porque não dizer a “ignorância” é que inicia o processo de busca de novos conhecimentos. Nessa etapa o individuo pode sentir-se muitas vezes ansioso, confuso e duvidoso diante de seu problema.

Diante de um “estado de ignorância e incerteza” para um “estado de conhecimento” o indivíduo inicia o processo pela necessidade de informação para uma postura ativa de resolução de problema. Para avançar essa fase, é necessário, que ele empreenda estratégias para escolhas e seleção, sendo o critério de escolhas influenciado diretamente por fatores ambientais, a sua experiência e repertório, interesses, capacidade de avaliar e validar informação e dados (competência informacional), estratégias de formulação de problemas, perguntas e respostas.

Por Maria Carmen Tavares Christóvão – Diretora da Pro Innovare – http://www.proinnovare.com.br

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Sobre PROINNOVARE

A PRO INNOVARE é uma empresa de consultoria e assessoria empresarial com técnicas, ferramentas, metodologia, modelos e capacidade para propiciar o desenvolvimento de instituições empreendedoras com a geração de resultados por meio da inovação. Refletimos de forma crítica e criativa, através de pesquisas e atividades práticas sobre o processo de inovação dentro das empresas. Nossas áreas de atuação estão associadas ao campo temático da inovação, direcionada ao segmento de serviços. Instituições baseadas em conhecimento, sistemas empresariais e institucionais de inovação e aprendizado, inovação em instituições educacionais e outros segmentos de serviços.

Publicado em 04/06/2014, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. conhecimento é informação aplicada, assim a discussão é de caráter epstemológico, ainda não vi ninguem com a abordage adequada. É como o discurso de desenvolvimento sustentável, sem abordar a possibilidade do decrescimento com recursos exauridos e bla bla bla….

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