A melhor universidade do mundo. O que eles têm que nós não temos?

A melhor universidade do mundo. O que eles têm que nós não temos?

Uma lista publicada  pela revista especializada em ensino superior The Times Higher Education Supplement classifica, todos os anos, as 200 melhores instituições de Ensino Superior em todo o mundo. Essa seleção é baseada em uma avaliação envolvendo diferentes critérios, que levam em conta a opinião acadêmica e de empregadores do mundo todo.

Nas dez primeiras posições estão seis universidades dos Estados Unidos e quatro do Reino Unido. A única brasileira a aparecer no ranking é a USP (Universidade de São Paulo), e lá embaixo, na 196 ª posição. Por pouco o Brasil não fi ca sem nenhuma representante no rol das 200 melhores.

Harvard, a instituição que ocupa o topo dessa lista, sempre foi sinônimo de universidade ideal e tem entre os que já foram seus alunos diversas personalidades de importância mundial. Entre eles, estão o atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seu antecessor no cargo, George W. Bush, Bill Gates (apesar de ter largado os estudos para se dedicar a Microsoft), o escritor Norman Mailer e até mesmo nomes como Robert Rey, o Dr. Hollywood da famosa série de TV sobre plásticas, que no Brasil é exibido pela Rede TV! e pela E! Entertainment Television.

A UP! foi atrás dos brasileiros que estudam ou já estudaram por lá, para saber: afi nal, o que eles vivem é mesmo distante da nossa realidade?

Entendendo o sistema de ensino estadunidense

As diferenças começam bem antes da seleção para a graduação. Já no ensino médio, o aluno pode direcionar seus estudos para as áreas que mais se interessa. “É um currículo ‘faça você mesmo’. Por exemplo, eu não sou boa em matemática, mas adoro história e línguas estrangeiras. Então, faço aulas mais fáceis de matemática e me foco nos meus pontos fortes, assim vou fazendo meu histórico para entrar na faculdade e mostrando no que sou boa”, explica Geneviève Oliveira, 16, que faz o segundo ano do ensino médio no Wasatch Academy, em Mount Pleasant, Utah.

Antes de se mudar para os Estados Unidos, um ano atrás, ela morava em Vitória, no Espírito Santo. “Decidi estudar fora porque não gostava da maneira de ensino no Brasil. Penso que é específi co demais e só te prepara para uma prova, enquanto aqui você tem opções ainda no ensino médio”.

Ao contrário do Brasil, onde os alunos são classifi cados por meio do vestibular, nos Estados Unidos a seleção depende não só de provas, mas também da vida escolar do aluno. “Tem dois testes diferentes, o SAT e ACT que são requerimentos aplicados em quase todas as faculdades nos Estados Unidos. Mas o bom das admissões aqui é que você não é só um número. Também é levado em consideração o que você pensa de você mesmo, o que seus professores, seu diretor, seu coordenador pensam de você, as suas notas desde a oitava série, como você passou seu tempo após o dia escolar, se você trabalhou, se você ajuda sua comunidade, o que você faz no verão… Tudo isso conta, e muito, na hora de entrar numa universidade estadunidense”.

Geneviève pretende continuar no país e realizar tanto a graduação quanto a pós-graduação em terras estrangeiras. “Eu não pretendo voltar ao Brasil para morar tão cedo. Com um bom diploma daqui será muito mais fácil para conseguir um emprego e, além disso, aqui a remuneração é muito maior”.

Assim como Geneviève, Adriana Tassini, 25, resolveu continuar sua vida acadêmica nos Estados Unidos. Ela é estudante de Relações Internacionais na Universidade de Harvard, a melhor do mundo segundo o ranking. A brasileira mora em Boston desde 2004, quando decidiu estudar fora do país. Harvard sempre foi um sonho para ela e como já estava por lá, Adriana resolveu correr atrás para tentar realizá-lo. “Eu sabia que iria encontrar muitas difi culdades na universidade, mas não sabia que seriam tantas. Sem dúvida alguma, Harvard ultrapassou minhas expectativas em todos os sentidos, principalmente em se tratando do nível de educação que eles oferecem aos estudantes”, conta Adriana.

Como estrangeira, além dos procedimentos básicos para admissão, Adriana teve que fazer também o Test of English as a Foreign Language (TOEFL), um teste feito para avaliar se a pessoa tem capacidade de se expressar em inglês.

Outro ponto importante que afasta as universidades do nosso país em relação às melhores do mundo é o pagamento. Não importa se a universidade é publica ou particular, o aluno terá que pagar por ela. E os preços são bem altos. “Elas custam, em média, 45 mil dólares. Há algumas mais baratas, como 25 mil dólares, mas ainda são caras comparadas a maioria das faculdades no Brasil”, calcula Geneviève.

São oferecidos, geralmente, financiamentos em que os alunos só pagam os custos do ensino superior depois de formados e também bolsas de estudos, parciais ou integrais. Maurício Carneiro, 29, é mais um brasileiro que foi para o exterior procurar um ensino de qualidade. Ele faz doutorado em Biologia Evolucionária em Harvard, mas também foi aceito em Princeton, atualmente 12ª no ranking. “Escolhi Harvard por ser a número um e por estar em uma cidade grande e interessante, comparando com Princeton que fi ca no meio do nada”. Maurício tem uma bolsa integral e recebe ajuda de custo, bancada pela universidade, de dois mil dólares por mês.

Estrutura física e humana

A carga de estudo, exercícios e leituras complementares, tanto na opinião de Adriana quanto na de Maurício, é muito maior que qualquer universidade no Brasil. “Sem contar que os professores são simplesmente os melhores do mundo. Harvard quando contrata um professor certifi ca-se de que ele seja um dos cinco melhores do mundo no assunto. Você tem aula com as pessoas que descobriram/criaram as coisas que estão ensinando e escreveram os livros e textos”, salienta Maurício.

Como as instituições de ensino recebem muito dinheiro, de mensalidades ou de doações, tudo é bem diferente da realidade da maioria das universidades brasileiras, principalmente das públicas. “Tudo que você precisa a Harvard tem, literalmente! Laboratórios com computadores, impressoras, mais de 50 bibliotecas disponíveis e outros benefícios também. Eles oferecem planos de saúde para os estudantes que não tem o seu próprio plano, dentistas, tutores para quem está tendo problemas no aprendizado ou até mesmo para quem está com dúvidas na matéria. A estrutura da faculdade é realmente excepcional, não tenho nada do que reclamar”, elogia Adriana.

Maurício, que fez sua graduação em Ciência da Computação na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), cursos eletivos no instituto de biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestrado em Biologia Molecular na Fundação Oswaldo Cruz, compara: “Na necessidade de qualquer equipamento basta solicitar, pois há dinheiro para isso. Um exemplo: no laboratório onde eu estava na UFRJ havia apenas uma máquina de PCR [sequenciador de DNA]. Tínhamos que marcar horário para usar e dividir com todo o departamento. Aqui, cada laboratório tem pelo menos quatro desses”.

Os estudantes moram dentro da Universidade, nos alojamentos e, de acordo com ele, isso faz com que eles respirem estudo 24 horas por dia e tenham disponibilidade de equipamentos e recursos materiais e humanos de altíssima qualidade. “Sem falar que você está trabalhando com alunos que foram os melhores em cada uma de suas cidades de origem, e por isso estão aqui. É incomparável, e você sente a diferença no primeiro trabalho em grupo que você faz e não tem que levar os outros ‘nas costas’, como sempre acontece mesmo nas universidades top (PUC-RJ e UFRJ) do Brasil”, revela Maurício.

Para Judney Cley Cavalcante, 29, professor de anatomia humana da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e pós-doutorado em Neurociências pela Beth Israel Deaconess Medical Center – Harvard Medical School, a principal diferença entre as nossas e as melhores universidades do mundo é a forma como ciência e tecnologia são tratadas pelo governo e pelo povo. “Lá é prioridade, questão de desenvolvimento humano, social e nacional. Aqui é luxo, coisa para poucos e ainda muito distante da população em geral”.

E a melhor do Brasil?

Ricardo Tavares Macedo, 23, estudante de bacharelado em Física, diz que escolheu a Universidade de São Paulo pela qualidade e por já morar na cidade.

Apesar de enchê-la de elogios quando questionado, ele também reconhece que a Universidade enfrenta problemas. “A USP é realmente incrível, você pode passar dias sem precisar sair de lá de tão completa que ela é. Porém, a condição dos prédios das unidades varia muito. Em lugares onde há interesse privado ou governamental, tudo funciona muito bem. O ambiente é bonito, os banheiros estão impecáveis, algumas salas têm até ar-condicionado! Mas nas outras, os prédios precisam de manutenções sérias. Existem infi ltrações, alagamentos, o que você imaginar”.

Os laboratórios didáticos, de acordo com o estudante, são bem equipados. “Os aparelhos não são sempre de última geração, mas usa-se bem, é incomum acontecer algum problema. Os laboratórios de pesquisa funcionam de outra forma, já que eles são financiados por órgãos de incentivo à pesquisa, como a Fapesp e CNPq. Então a situação deles varia muito com a relação que possuem com esses órgãos. Em alguns, há bastante dinheiro, noutros nem tanto”.

Para ele, o que falta mesmo é didática de ensino para muitos professores. “Sem dúvida alguma, eles entendem muito do que falam. Mas a maioria é pesquisador cujo prazer mesmo é ficar no laboratório”.

E se nem tudo são flores na brasileira melhor classificada no ranking, dá para ter ideia de como são as outras universidades espalhadas pelo Brasil…

AS MELHORES UNIVERSIDADES DO MUNDO, DE ACORDO COM O RANKING PUBLICADO PELO THE TIMES HIGHER EDUCATION SUPPLEMENT EM 2008:

  • 1 – Harvard University – EUA
  • 2 – Yale University – EUA
  • 3 – University of Cambridge – Reino Unido
  • 4 – University of Oxford – Reino Unido
  • 5 – California Institute of Technology – EUA
  • 6 – Imperial College London – Reino Unido
  • 7 – University College London – Reino Unido
  • 8 – University of Chicago – EUA
  • 9 – Massachusetts Institute of Technology – EUA
  • 10 -Columbia University – EUA
  • 10 -Columbia University – EUA
  • 11 – University of Pennsylvania – EUA
  • 12 – Princeton University – EUA
  • 13 – Duke University – EUA
  • 14 – Johns Hopkins University – EUA
  • 15 – Cornell University – EUA
  • 16 – Australian National University – Austrália
  • 17 – Stanford University – EUA
  • 18 – University of Michigan – EUA
  • 19 – University of Tokyo – Japão
  • 20 – McGill University – Canadá
  • 21 – Carnegie Mellon University – EUA
  • 22 – King’s College London – Reino Unido
  • 23 – University of Edinburgh – Reino Unido
  • 24 – ETH Zurich – Suíça
  • 25 – Kyoto University – Japão
(Texto publicado originalmente na edição 18# da Revista Up! Também está disponível no endereço http://www.revistaup.com/s_edicoes.php?ed=18&mat=18_melhor_universidade.php)
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Publicado em 14/09/2011, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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